Ilustração editorial sobre Eleitoral
ILUSTRAÇÃO EDITORIAL / JURISOFT NEWS

Um levantamento sobre as eleições de 2022 na cidade de São Paulo revelou que candidatas a deputada federal obtiveram a maioria dos votos nominais em apenas quatro dos 2.048 locais de votação. Em todos os outros, candidatos homens tiveram mais votos. Os dados foram compilados pela plataforma "Marias do Bairro", uma iniciativa da organização Girl Up Brasil a partir de informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que considera apenas os votos nominais, excluindo brancos, nulos e de legenda.

A análise mostra uma concentração geográfica dos resultados. Os 20 locais com maior percentual de votos em mulheres estão, em sua maioria, em bairros como Pinheiros e Alto de Pinheiros. O Colégio Vera Cruz liderou, com 54,03% dos votos nominais para candidatas. Em contrapartida, os 20 locais com os menores percentuais estão em regiões como Parelheiros e Grajaú. Na Escola Estadual Professor Jesus José Attab, em Parelheiros, apenas 8,35% dos votos foram para mulheres.

Perfil socioeconômico e concentração de votos

Os distritos onde se observam os maiores e menores percentuais de votos em candidatas apresentam perfis socioeconômicos distintos. Segundo o Mapa da Desigualdade 2025, a remuneração média formal em Alto de Pinheiros é de R$ 8.115,83, enquanto em Grajaú é de R$ 2.555,03. Há também diferenças na composição racial: em Pinheiros, 11,1% dos moradores são pretos ou pardos, proporção que chega a 56,8% no Grajaú.

Apesar da correlação entre renda e o voto em mulheres, o próprio levantamento adverte que os dados não permitem concluir que essas características expliquem o comportamento eleitoral. A análise não considera, por exemplo, o perfil das candidatas que estavam disponíveis em cada região nem onde elas concentraram os esforços de suas campanhas. Atualmente, mulheres ocupam cerca de 18% das 513 cadeiras na Câmara dos Deputados, embora representem mais de 51% da população brasileira.

Correlação não estabelece uma relação de causa

Na nossa leitura, a principal contribuição do estudo é tornar visível um padrão de desigualdade, sem oferecer respostas simplistas. A gerente da Girl Up Brasil, Daniela Costa, atribui a baixa representação a fatores históricos e estruturais, como a entrada tardia das mulheres na política e a distribuição desigual de recursos do fundo eleitoral dentro dos partidos. Essa análise desloca o foco do comportamento individual do eleitor para as barreiras institucionais que as candidatas enfrentam.

Um cuidado ao comunicar esse tema é não transformar a correlação socioeconômica em uma acusação ou em um atestado de comportamento. O levantamento é um ponto de partida para um diálogo sobre representatividade, como propõe a própria organização. Explicar a notícia envolve apresentar os números e, em seguida, as limitações da análise, mostrando que a realidade é mais complexa e influenciada por fatores como financiamento e estrutura partidária.

O QUE MUDA NA PRÁTICA
  • Levantamento revela que candidatas a deputada federal tiveram maioria de votos nominais em apenas 4 dos 2.048 locais de votação de São Paulo em 2022.
  • Os locais com maior proporção de votos em mulheres se concentram em bairros com maior renda média, como Pinheiros e Alto de Pinheiros.
  • A análise dos dados não permite concluir que o perfil socioeconômico dos eleitores explica o resultado, pois não considera o perfil das candidatas ou onde elas concentraram suas campanhas.
  • A desigualdade na representação é atribuída pela organização responsável pelo estudo a fatores históricos e à distribuição de recursos dentro dos partidos.
NA ADVOCACIA

Ao conversar com um cliente, como uma candidata ou um partido político, a sugestão é usar esses dados como um diagnóstico do território, não como uma explicação definitiva do eleitorado. A abordagem pode focar em como a informação revela desafios estruturais, como a necessidade de estratégias de campanha e alocação de recursos que superem barreiras históricas, em vez de apenas segmentar o público por renda.

Para um vídeo ou post, um caminho é explicar o que os números mostram e, principalmente, o que eles não mostram. Apresentar a correlação com o perfil socioeconômico e, em seguida, a ressalva da própria fonte de que isso não é uma relação de causa, demonstra um compromisso com a informação precisa. Essa abordagem se alinha ao propósito da Jurisoft de construir confiança por meio de uma comunicação clara e responsável.

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NA ORIGEM

Artigo escrito a partir de publicação de G1, de 19/09/2026. Contexto e leitura editorial são do Jurisoft News.

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Redação e conferência automatizadas por IA, sob linha editorial Jurisoft. O estágio dos fatos corresponde à data da fonte.