Ilustração editorial sobre Família
ILUSTRAÇÃO EDITORIAL / JURISOFT NEWS

Grupos de apoio como o Jogadores Anônimos têm recebido um número crescente de jovens, inclusive adolescentes de 14 anos, em busca de ajuda contra a dependência em apostas online. A facilidade de acesso a essas plataformas por meio de celulares é apontada por especialistas como um fator que amplia a exposição de crianças e adolescentes ao problema, que acarreta graves consequências financeiras e de saúde mental, como depressão e síndrome do pânico.

Pesquisas recentes dimensionam o impacto do problema. Um relatório do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) concluiu que pelo menos 24 milhões de brasileiros apostaram em 2024, e quase metade deles ficou endividada. Na área da educação, um estudo da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) aponta que 14% dos estudantes universitários entrevistados já atrasaram mensalidades ou trancaram o curso devido a gastos com apostas.

Estatuto Digital amplia responsabilidades

Para responder a esse cenário, o governo federal sancionou o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), que entrou em vigor em março de 2026. Segundo o advogado Felipe Moreira, a principal novidade da lei é a responsabilidade compartilhada entre as plataformas digitais, as famílias e o Estado. A legislação exige a criação de mecanismos confiáveis de verificação de idade, proibindo que o acesso se dê com um simples clique de confirmação de maioridade.

O ECA Digital também proíbe o acesso de menores às chamadas loot boxes, caixas de itens aleatórios pagos que se assemelham a jogos de azar. Além disso, a lei determina que menores de 16 anos só podem usar redes sociais com contas vinculadas a seus responsáveis e que menores de 18 anos não podem realizar apostas online. A advogada Luana Mendes destaca que o controle parental deve ser acompanhado de educação digital, ensinando a criança a identificar riscos.

Da lei à prática: os desafios da proteção

Na nossa leitura, a principal mudança trazida pelo ECA Digital é a transição de um modelo de culpa individual ou familiar para um de responsabilidade sistêmica. Ao incluir as plataformas como parte da solução, a lei reconhece que a arquitetura dos aplicativos e a falta de barreiras eficazes de acesso contribuem para o problema. Explicar essa corresponsabilidade ajuda a mostrar que a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital é um dever coletivo, não apenas uma tarefa doméstica.

Um cuidado ao comunicar esse tema é distinguir a existência da lei de sua aplicação efetiva. Como aponta um dos especialistas, a legislação pode ser suficiente, mas sua eficácia depende da fiscalização pelo poder público e do cumprimento pelas empresas. A notícia informa sobre as novas regras, mas não comprova que elas já foram integralmente implementadas ou que resolveram o problema. O debate envolve saúde, educação e comportamento, exigindo uma atuação conjunta que vai além da esfera legal.

O QUE MUDA NA PRÁTICA
  • O Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital) entrou em vigor em março de 2026, com novas regras para o ambiente virtual.
  • A lei estabelece responsabilidade compartilhada entre plataformas, famílias e Estado na proteção de menores online.
  • Plataformas de jogos e redes sociais devem implementar mecanismos de verificação de idade mais rigorosos, não sendo mais válido o simples clique de confirmação.
  • Pesquisas indicam que gastos com apostas online têm impactado a permanência de jovens no ensino superior, com relatos de mensalidades atrasadas e cursos trancados.
  • O acesso de menores a 'loot boxes', caixas de itens aleatórios pagos em jogos, foi proibido pela nova legislação.
NA ADVOCACIA

Ao conversar com clientes, uma sugestão é explicar que o ECA Digital estabelece um novo patamar de deveres para as empresas de tecnologia. Em vez de focar apenas no controle parental, a conversa pode abordar como a lei cria ferramentas para cobrar das plataformas uma postura mais ativa na proteção de menores, como a verificação de idade. Isso ajuda a posicionar o direito como uma ferramenta de proteção coletiva.

Para um vídeo ou post, um caminho é abordar a diferença entre a regra legal e a mudança de comportamento. O advogado pode explicar os principais pontos do ECA Digital e, em seguida, conectar o tema à necessidade de educação digital e diálogo familiar. Essa abordagem se alinha ao propósito da Jurisoft de usar a comunicação clara para construir confiança, mostrando que a lei é um ponto de partida para uma solução mais ampla.

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NA ORIGEM

Artigo escrito a partir de publicação de Agência Brasil, de 19/09/2026. Contexto e leitura editorial são do Jurisoft News.

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Redação e conferência automatizadas por IA, sob linha editorial Jurisoft. O estágio dos fatos corresponde à data da fonte.