A discussão sobre os desafios estratégicos do Brasil, como a transição energética e o envelhecimento da população, está ausente do debate eleitoral, que se concentra na crise política e nas denúncias do chamado “caso Master”. A avaliação é de Francilene Garcia, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em entrevista à Agência Brasil em 14 de setembro. Segundo ela, o cenário atual aprofunda o esvaziamento de pautas vitais para o futuro do país, como ciência e preparação para novas crises sanitárias.
Garcia, que lidera a SBPC desde 2025, argumenta que o país foi levado a uma falsa dicotomia, como se fosse preciso escolher entre investigar as instituições ou planejar o desenvolvimento nacional. Para a pesquisadora, as duas agendas deveriam ser tratadas como parte de um mesmo projeto de país. A monopolização do debate por disputas pessoais e escândalos, em sua visão, deixa em segundo plano as respostas que precisam ser construídas para problemas que afetam a vida de todos os cidadãos.
Baixo engajamento das candidaturas com a pauta
Para tentar inserir esses temas na campanha, a SBPC lançou o Observatório das Eleições, com mais de uma centena de propostas de políticas públicas. No entanto, o engajamento das candidaturas tem sido baixo. Conforme o relato, apenas uma candidatura ao Executivo federal e nenhuma aos governos estaduais se comprometeram com as propostas da entidade. O interesse de candidatos ao Legislativo, que vinha crescendo, também perdeu força nos últimos dias.
Historicamente, a ciência fica à margem dos debates eleitorais, segundo Garcia. Houve breves momentos de maior atenção, como durante a pandemia de covid-19 em 2020 e diante dos eventos climáticos extremos de 2024, como enchentes e secas. No atual ciclo eleitoral, porém, temas como os impactos das mudanças climáticas, o risco de novas pandemias, a transformação digital e a soberania na exploração de minerais críticos não conseguiram espaço na agenda dos candidatos.
Crise imediata versus planejamento de longo prazo
Na nossa leitura, a crítica apresentada pela SBPC expõe a tensão entre a urgência de uma crise política imediata e a necessidade de planejamento de longo prazo. A ausência de debate sobre ciência não se resume a uma questão de financiamento para pesquisas, mas sinaliza uma lacuna na forma como o país se prepara para desafios estruturais. A notícia permite ao leitor questionar se as pautas que dominam a campanha são as únicas que definirão o futuro do país.
Um cuidado ao comunicar esse tema é não o reduzir a uma queixa setorial da comunidade científica. As pautas citadas, como saúde pública, clima e tecnologia, têm impacto direto na vida cotidiana e na economia. Explicar essa conexão ajuda o público a perceber que a qualidade do debate eleitoral afeta a capacidade do país de construir respostas para problemas complexos, que vão muito além das disputas de poder do momento.
- A presidente da SBPC, Francilene Garcia, afirma que a ciência e temas estratégicos estão ausentes do debate eleitoral de 2026.
- Segundo a entidade, a crise política e as denúncias do “caso Master” monopolizam a atenção da campanha.
- Iniciativa da SBPC para engajar candidatos teve adesão de apenas uma candidatura ao Executivo federal e nenhuma aos governos estaduais.
- Temas como transição energética, novas pandemias e envelhecimento da população são citados como exemplos de pautas negligenciadas.
Como sugestão para uma conversa com clientes, a notícia pode ser usada para ilustrar como a agenda pública é formada e quais temas acabam excluídos. A explicação pode focar na distinção entre a crise política corrente e os desafios estruturais do país, mostrando que a ausência de debate sobre ciência e tecnologia tem consequências práticas para todos, não apenas para pesquisadores. Isso ajuda a qualificar a percepção sobre o processo eleitoral.
Para um vídeo ou post, um ângulo útil é explicar por que a falta de um debate sobre ciência importa para o cidadão comum. O advogado pode conectar os temas citados pela SBPC, como pandemias e clima, a direitos e questões do dia a dia. Essa abordagem se alinha ao propósito da Jurisoft de traduzir temas complexos em informação clara, construindo uma ponte de confiança entre a advocacia e o público.
Artigo escrito a partir de publicação de Agência Brasil, de 14/09/2026. Contexto e leitura editorial são do Jurisoft News.
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