Organizações sociais e fontes do governo registraram um aumento nos casos de violência política de gênero no Brasil, em um cenário que coincide com o mês do Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que os processos sobre o tema saltaram de 15 em 2022 para 177 em 2026, um crescimento de onze vezes. O levantamento ocorre em meio ao período eleitoral, no qual a participação feminina na política tem sido alvo de ataques.
Um levantamento das organizações Terra de Direitos e Justiça Global, divulgado em outubro de 2026, revelou 134 casos de violência política durante a campanha até o primeiro turno. Desse total, 70 episódios (52,2%) tiveram mulheres como vítimas. A desproporção é ainda mais evidente quando se observam apenas os ataques direcionados a candidaturas: embora representem cerca de um terço do total de candidatos, as mulheres foram alvo em 60 dos 102 episódios registrados, o que corresponde a 58,8% dos casos.
A desproporção nos ataques e o caso concreto
O cenário é ilustrado por denúncias como a da deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG), que relatou à Polícia Civil ter recebido ameaças de morte e de estupro durante a campanha. Segundo a parlamentar, as mensagens continham ataques machistas e racistas, e seus dados pessoais, como endereço e documentos, foram expostos. Em resposta, o partido contratou segurança armada para protegê-la. Ana Elisa foi a mulher mais votada da história de Minas Gerais para a Câmara dos Deputados.
Dados da Central de Atendimento à Mulher, o Disque 180, reforçam a dimensão do problema. Entre janeiro e agosto de 2026, foram registradas 1.564 denúncias de violência política contra mulheres. O recorte racial mostra que mulheres pretas e pardas são as principais vítimas, somando 842 denúncias (mais de 53%), seguidas por 590 queixas de mulheres brancas (37,72%). Para a secretária Sandra Kennedy, do Ministério das Mulheres, a violência política está conectada a um fenômeno mais amplo de misoginia e violência estrutural na sociedade.
Fontes de dados e a leitura do fenômeno
Na nossa leitura, é importante distinguir as diferentes fontes de dados para compreender a notícia. Os números do TSE se referem a processos judiciais formalizados, enquanto os levantamentos de organizações da sociedade civil monitoram episódios de violência noticiados ou reportados, e o Disque 180 registra denúncias feitas por cidadãos. Cada um desses números revela uma faceta do problema, desde a percepção pública da violência até sua efetiva judicialização.
Um cuidado ao comunicar esse tema é não tratar a violência política como um conceito único. A fonte descreve um leque de condutas que inclui violência física, verbal, ameaças de morte e estupro, além da exposição de dados pessoais. Explicar essa diversidade de ataques ajuda o público a entender que o objetivo dessas ações é desestimular e silenciar a participação das mulheres nos espaços de poder, configurando um problema estrutural que vai além de disputas eleitorais pontuais.
- Dados do TSE mostram que o número de processos por violência política de gênero aumentou de 15 em 2022 para 177 em 2026.
- Levantamento de organizações de direitos humanos indica que mulheres foram vítimas em 58,8% dos episódios de violência contra candidaturas nas eleições de 2026.
- Canais de denúncia do governo registraram 1.564 queixas de violência política contra mulheres entre janeiro e agosto de 2026.
- Mais de 53% das denúncias de violência política registradas no Disque 180 foram feitas por mulheres pretas e pardas.
Ao conversar com clientes sobre o tema, uma sugestão é explicar que a violência política de gênero não se resume à agressão física. Abarca ameaças, difamação em redes sociais e exposição de dados, condutas que possuem enquadramento legal. Apresentar os diferentes canais de denúncia, como a Justiça Eleitoral e a polícia, ajuda a traduzir a notícia em informação útil, fortalecendo a confiança no trabalho da advocacia.
Para um vídeo ou post, um ângulo relevante é mostrar como os dados revelam um problema estrutural, não casos isolados. O advogado pode explicar a desproporção nos ataques contra mulheres, especialmente as negras, e conectar isso ao objetivo de afastá-las da vida pública. Essa abordagem se alinha ao propósito da Jurisoft de usar a comunicação clara para aproximar o direito das pessoas e construir uma sociedade mais justa.
Artigo escrito a partir de publicação de Agência Brasil, de 10/10/2026. Contexto e leitura editorial são do Jurisoft News.
Leia a fonte original ↗Redação e conferência automatizadas por IA, sob linha editorial Jurisoft. O estágio dos fatos corresponde à data da fonte.