Ilustração editorial sobre Eleitoral
ILUSTRAÇÃO EDITORIAL / JURISOFT NEWS

A eleição para a Câmara dos Deputados em 2026 marcou uma mudança no perfil dos candidatos eleitos, com influenciadores digitais que construíram suas bases nas redes sociais superando celebridades tradicionais. Nomes como Nikolas Ferreira (PL-MG), Lucas Pavanato (PL-SP) e Erika Hilton (PSOL-SP) estiveram entre os mais votados do país. Em contrapartida, artistas e personalidades da mídia, como Silvia Abravanel (PSD-SP) e até mesmo o deputado Tiririca (PSD-CE), não conseguiram se eleger.

O resultado das urnas reflete essa nova dinâmica. Juntos, Ferreira, Pavanato e Hilton somaram 7.754.228 votos. Outros candidatos que tentaram converter a fama conquistada na televisão ou no esporte em capital político, como o ex-jogador Luiz Fabiano (MDB-SP) e o cantor Manoel Gomes (Avante-SP), conhecido pelo hit "Caneta Azul", não obtiveram sucesso. O caso de Tiririca é emblemático: após 14 anos como deputado federal e uma votação de 1,3 milhão de votos em sua primeira eleição, ele não conseguiu a reeleição.

Influenciadores assumem papel de 'puxadores de votos'

Os políticos influenciadores também assumiram o papel de "puxadores de votos", antes ocupado por celebridades. Nikolas Ferreira, o mais votado, garantiu com seus 3,1 milhões de votos outras 13 cadeiras para seu partido em Minas Gerais. Lucas Pavanato ajudou a eleger outros sete deputados em São Paulo, e Erika Hilton contribuiu para mais três vagas. O fenômeno, que ficou conhecido como "Efeito Tiririca" em 2010, mudou de protagonistas. Embora as regras eleitorais tenham sido alteradas desde então, o peso de candidatos com alta votação para o desempenho do partido permanece relevante.

A lógica das redes e a comunicação com o eleitor

Segundo a professora e pesquisadora Issaaf Karhawi, da USP, a própria lógica das redes sociais favorece essa aproximação entre candidatos e eleitores. Ela aponta que a comunicação nessas plataformas é percebida como mais horizontal, dando a sensação de que a visibilidade é construída pelo próprio candidato, em contraste com as celebridades que dependem da mídia tradicional. Para a especialista, esses políticos estabelecem uma relação contínua com o público, traduzindo debates e formando opinião para grupos específicos.

Essa dinâmica também altera a estratégia das campanhas eleitorais. Para políticos que já cultivam uma audiência diária, a disputa não se restringe ao período oficial. A deputada eleita Ana Elisa (PT-MG), de 20 anos, a mais jovem de Minas Gerais com mais de 500 mil votos, destacou a importância de destinar recursos e tempo para as redes. Segundo ela, é preciso estar onde as pessoas estão, e hoje elas estão com o celular nas mãos, o que torna o ambiente digital um campo de batalha tão ou mais importante que as ruas.

Na nossa leitura, a notícia evidencia uma transformação na maneira como o capital político é construído. A fama prévia, oriunda de outras áreas, parece ter menos peso que a audiência engajada em torno de pautas e valores específicos, cultivada ao longo do tempo. Um cuidado ao comunicar esse tema é não tratar o sucesso dos "políticos influencers" apenas como um fenômeno de popularidade. A análise dos resultados sugere uma estratégia de comunicação política contínua e segmentada, que se mostra mais eficaz que a simples transferência de reconhecimento de uma área para outra.

O QUE MUDA NA PRÁTICA
  • Candidatos que se projetaram politicamente nas redes sociais obtiveram votações recordes para a Câmara dos Deputados.
  • Celebridades da TV, música e esporte, que antes eram apostas dos partidos, não conseguiram se eleger, incluindo o deputado Tiririca, que buscava a reeleição.
  • O papel de "puxador de votos" passou a ser exercido principalmente por esses novos políticos com grande base de seguidores digitais.
  • A eleição da influenciadora Ana Elisa, de 20 anos, com mais de 500 mil votos em Minas Gerais, reforça a relevância da estratégia digital na política.
NA ADVOCACIA

Ao conversar com um cliente sobre o cenário político, uma sugestão é explicar que a fama já não é um ativo que se transfere automaticamente para as urnas. O resultado de 2026 mostra que a construção de uma audiência engajada em torno de ideias políticas, por meio de uma comunicação constante, tornou-se um fator mais determinante. Essa distinção ajuda a analisar os resultados de forma mais aprofundada.

Para um vídeo ou post, um caminho é contrastar o "candidato celebridade" com o "político influenciador". O primeiro importa a fama de outra área, enquanto o segundo constrói sua relevância dentro do próprio debate político digital. Explicar essa mudança de paradigma se conecta ao propósito da Jurisoft de traduzir temas complexos, oferecendo clareza e ajudando a construir confiança com o público.

Quem explica bem, ganha confiança. A Jurisoft ajuda advogados a transformar temas como este em conteúdo claro.Conheça a Jurisoft ↗
NA ORIGEM

Artigo escrito a partir de publicação de G1, de 07/10/2026. Contexto e leitura editorial são do Jurisoft News.

Leia a fonte original ↗

Redação e conferência automatizadas por IA, sob linha editorial Jurisoft. O estágio dos fatos corresponde à data da fonte.