Ilustração editorial sobre Eleitoral
ILUSTRAÇÃO EDITORIAL / JURISOFT NEWS

A inteligência artificial (IA) está sendo usada para produzir imagens ofensivas em escala contra candidatas mulheres, segundo um levantamento do projeto MonitorA, um observatório de violência política de gênero. A pesquisa identificou indícios do uso de IA em 25% das imagens classificadas como ataques ou insultos dirigidos a candidatas na rede social X. Outros 9% dos casos foram considerados incertos pelos pesquisadores quanto à manipulação por essa tecnologia.

A análise examinou 11.137 imagens publicadas nos perfis de 132 candidatas em dois períodos da campanha eleitoral, entre agosto e setembro. Desse total, 660 imagens foram consideradas ofensivas. O estudo concluiu que, ao contrário do temor comum sobre deepfakes, a maior parte do material não tenta se passar por real. O objetivo é a produção de charges, memes e montagens para humilhar, ridicularizar ou desumanizar as mulheres na política.

Tipos de violência e alvos específicos

A pesquisa identificou que os ataques são direcionados e exploram marcadores de desigualdade. A candidata Marina Silva (Rede) foi a que mais recebeu conteúdos ofensivos, com 125 registros, seguida por Sâmia Bomfim (PSOL), com 111, e Erika Hilton (PSOL), com 109. Os ataques contra Sâmia Bomfim foram predominantemente gordofóbicos (70,6%), enquanto Erika Hilton foi alvo de transfobia (47,9%). Já Marina Silva concentrou ataques misóginos, desumanizantes e etaristas.

O levantamento também registrou ataques a candidatas de direita, como Julia Zanatta (PL) e Vanessa da Silva (PL). Zanatta foi alvo de ofensas com foco na sexualização e em questionamentos sobre sua identidade política. Vanessa da Silva recebeu imagens de cunho racista, com referências ao período da escravidão em 70% dos casos. O estudo classificou a misoginia como a categoria de ataque mais frequente no geral, presente em 99 imagens, seguida por gordofobia (55) e transfobia (46).

Análise: o novo papel da IA na violência política

Na nossa leitura, a principal contribuição do estudo é deslocar o debate sobre IA nas eleições. A preocupação pública costuma se concentrar em deepfakes sofisticados e na simulação da realidade para espalhar desinformação. A pesquisa, no entanto, revela um uso mais imediato e acessível da tecnologia: a produção em massa de conteúdo de assédio, que visa minar a participação política das mulheres por meio da humilhação e do ataque à sua identidade.

Um cuidado ao comunicar esse tema é explicar a distinção que o próprio relatório faz entre insultos e ataques. Insultos são ofensas genéricas, enquanto ataques se baseiam em características de grupos marginalizados, como gênero, raça e sexualidade. Essa diferença é relevante porque os ataques, por seu caráter discriminatório, deveriam ser removidos pelas plataformas. Apresentar essa nuance ajuda o público a compreender a gravidade do fenômeno e a dimensão da violência política de gênero.

O QUE MUDA NA PRÁTICA
  • Estudo identificou indícios de uso de inteligência artificial em 25% das imagens ofensivas contra candidatas na rede social X.
  • A principal aplicação da IA não foi a criação de deepfakes realistas, mas a produção em massa de memes e montagens para humilhar e ridicularizar.
  • A pesquisa detalhou tipos específicos de ataques, como misoginia, gordofobia, transfobia e racismo, direcionados a candidatas de diferentes espectros políticos.
  • As candidatas mais visadas por imagens ofensivas foram Marina Silva (Rede), Sâmia Bomfim (PSOL) e Erika Hilton (PSOL).
NA ADVOCACIA

Ao conversar com clientes sobre o tema, uma sugestão é esclarecer que a ameaça da IA na política vai além dos deepfakes. Explique que a tecnologia está sendo usada para escalar a produção de conteúdo de assédio, o que representa uma forma de violência política de gênero. Essa abordagem ajuda a focar na natureza do conteúdo e em seus efeitos, em vez de se limitar à discussão sobre a sofisticação tecnológica.

Para um vídeo ou post, um ângulo útil é mostrar como a IA barateia e acelera a criação de campanhas de difamação. O advogado pode explicar a diferença entre crítica política e ataques discriminatórios, usando os dados do estudo para ilustrar o problema. Essa clareza se conecta ao propósito da Jurisoft de traduzir temas complexos em informação que gera compreensão e confiança.

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NA ORIGEM

Artigo escrito a partir de publicação de G1, de 02/10/2026. Contexto e leitura editorial são do Jurisoft News.

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Redação e conferência automatizadas por IA, sob linha editorial Jurisoft. O estágio dos fatos corresponde à data da fonte.