Ilustração editorial sobre Trabalhista
ILUSTRAÇÃO EDITORIAL / JURISOFT NEWS

O Direito do Trabalho passa por uma fase de transição e precisa ser atualizado para acompanhar as mudanças sociais e legislativas, segundo o desembargador Sergio Torres Teixeira. A afirmação foi feita em entrevista à revista Consultor Jurídico durante o 16º Congresso Internacional da Academia Brasileira de Direito do Trabalho (ABDT), da qual é presidente. O evento, que terminou em 11 de setembro em São Paulo, debateu temas atuais e controvérsias pendentes de definição nos tribunais superiores.

Teixeira, que também foi indicado para o cargo de ministro do Tribunal Superior do Trabalho, destacou que algumas leis trabalhistas se tornaram inadequadas ou foram ultrapassadas pelo contexto social. Para ele, a velocidade das transformações dificulta a interpretação jurídica, pois cria situações novas sem um parâmetro normativo claro. Entre os temas que se renovam nesse cenário, ele citou o adoecimento psíquico decorrente das relações de trabalho, influenciado por inovações tecnológicas e mudanças sociais.

O papel do STF e a discussão sobre a 'pejotização'

Um dos pontos centrais abordados foi o papel do Supremo Tribunal Federal na resolução de controvérsias trabalhistas com fundo constitucional. O desembargador citou como exemplo o Tema 1.389 de repercussão geral, que discute a licitude da contratação de trabalhadores por meio de pessoa jurídica, prática conhecida como 'pejotização'. O julgamento trata, entre outros pontos, da competência para analisar alegações de fraude em contratos de natureza civil firmados para mascarar uma relação de emprego.

Segundo Teixeira, a decisão do STF sobre a competência judicial nesses casos poderá ter um impacto imenso. Ele explicou que, historicamente, a Justiça do Trabalho é quem analisa os fatos para decidir se os elementos de uma relação de emprego estão presentes, mesmo diante de um contrato civil. Caso o Supremo entenda que essa análise cabe à Justiça comum, o magistrado prevê um aumento nas contratações via pessoa jurídica e uma consequente redução na arrecadação previdenciária, afetando a seguridade social.

Como interpretar o debate sobre a atualização das leis

Na nossa leitura, a notícia destaca uma tensão entre a legislação existente e as novas formas de organização do trabalho. A discussão sobre a competência para julgar a 'pejotização' é um exemplo concreto de como uma decisão judicial pode redefinir não apenas um processo, mas o alcance de direitos trabalhistas e previdenciários. A fala do desembargador ajuda a entender que o debate não é apenas técnico, mas tem consequências diretas na proteção social dos trabalhadores.

Um cuidado ao comunicar esse tema é separar a opinião do entrevistado das decisões já tomadas pelos tribunais. As preocupações com o futuro da arrecadação e o aumento de um modelo de contratação são projeções baseadas em um possível resultado do julgamento do STF. Explicar o que está em jogo no Tema 1.389, sem tratar suas possíveis consequências como fatos consumados, permite uma compreensão mais clara e equilibrada do cenário jurídico atual.

O QUE MUDA NA PRÁTICA
  • O presidente da ABDT, Sergio Torres Teixeira, defende a atualização da legislação trabalhista para refletir novas realidades sociais e tecnológicas.
  • O STF tem um julgamento pendente (Tema 1.389) que pode definir se a Justiça do Trabalho é competente para analisar fraudes em contratos de 'pejotização'.
  • A discussão inclui o impacto de novas formas de contratação sobre a arrecadação da seguridade social, segundo a análise do desembargador.
  • Teixeira propõe a construção coletiva de novas normas, com a participação de empregados, empregadores e sindicatos.
NA ADVOCACIA

Para explicar o tema a um cliente, uma sugestão é focar na distinção entre a legislação atual e as novas formas de trabalho que ela não prevê explicitamente. Use o exemplo da 'pejotização' para mostrar como uma questão contratual pode ter seu foro de discussão alterado por uma decisão do STF, o que impacta a estratégia processual. Essa abordagem conecta a notícia a uma consequência prática, sem antecipar o resultado do julgamento.

Em um vídeo ou post, o advogado pode abordar a diferença entre uma lei desatualizada e a ausência de direitos. Explique que a Justiça do Trabalho interpreta as normas existentes para novas situações, mas que decisões de tribunais superiores, como a do STF sobre o Tema 1.389, podem criar novos paradigmas. Isso se alinha ao propósito da Jurisoft de oferecer clareza e construir confiança, mostrando como o direito evolui.

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NA ORIGEM

Artigo escrito a partir de publicação de Consultor Jurídico, de 11/09/2026. Contexto e leitura editorial são do Jurisoft News.

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Redação e conferência automatizadas por IA, sob linha editorial Jurisoft. O estágio dos fatos corresponde à data da fonte.