Ilustração editorial sobre Eleitoral
ILUSTRAÇÃO EDITORIAL / JURISOFT NEWS

Um estudo das organizações de direitos humanos Terra de Direitos e Justiça Global registrou o período pré-eleitoral mais violento da última década no Brasil. O levantamento, que monitora dados desde 2016, apontou a ocorrência de um episódio de violência política a cada 44 horas entre 28 de outubro de 2024 e 15 de agosto de 2026. O período analisado compreende o dia seguinte ao segundo turno das eleições municipais de 2024 e a véspera do início da propaganda eleitoral de 2026.

No total, foram contabilizados 354 casos, um aumento de 18,4% em relação aos 299 episódios do período pré-eleitoral anterior, finalizado em 2024. A pesquisa revela que a violência se concentra em quem já exerce um cargo, com a grande maioria dos ataques direcionada a pessoas com mandato ou em função pública. O âmbito municipal foi o mais atingido, respondendo por 63% das ocorrências, que tiveram como alvos principais vereadores e prefeitos.

Mulheres e políticos municipais são as maiores vítimas

O levantamento também destaca o impacto desproporcional sobre as mulheres. Embora ocupem aproximadamente 18% das cadeiras legislativas, mulheres cis, trans e travestis foram vítimas em 50,6% dos casos, totalizando 176 ocorrências. Dados complementares do Ministério da Mulher, baseados em denúncias ao Ligue 180 entre janeiro e agosto de 2026, registraram 1.564 denúncias de violência política de gênero, sendo 53,84% das vítimas mulheres negras.

Entre os tipos de violência, a ameaça foi a mais comum, com 193 casos, seguida por ofensa (71) e agressão (51). Foram registrados ainda 11 assassinatos e 17 atentados. A letalidade também se mostrou mais acentuada na esfera local, onde ocorreram 24 dos 28 episódios com intenção de matar. De acordo com o estudo, apenas 2,5% dos 354 casos resultaram em alguma punição para o agressor. Os estados com mais registros foram São Paulo (67), Paraná (31) e Ceará (29).

Violência contínua para além do período de campanha

Na nossa leitura, um ponto central da pesquisa é demonstrar que a violência política não se restringe aos meses de campanha eleitoral. Ao analisar o período entre eleições, os dados sugerem um problema estrutural que afeta o exercício de mandatos vigentes, especialmente no nível municipal. A informação de que quase todos os alvos já eram agentes públicos reforça a interpretação de que os ataques visam intimidar e silenciar vozes no exercício de suas funções, e não apenas influenciar a disputa por um cargo.

Um cuidado ao comunicar esse tema é não tratar os números como um retrato exclusivo do processo eleitoral. A pesquisa aponta para um cenário mais amplo de ameaça ao funcionamento das instituições, como afirma a diretora da Justiça Global. Explicar que a violência ocorre de forma contínua ajuda o público a compreender a gravidade do problema para além da competição nas urnas, conectando os ataques a um ambiente de hostilidade contra a representação política, em especial de grupos minorizados.

O QUE MUDA NA PRÁTICA
  • Um estudo registrou 354 casos de violência política entre outubro de 2024 e agosto de 2026, o maior número em 10 anos para um período pré-eleitoral.
  • Mulheres representam 50,6% das vítimas, apesar de ocuparem cerca de 18% dos cargos legislativos no país.
  • A violência se concentrou no âmbito municipal, onde ocorreram 63% dos casos e a maior parte dos ataques letais.
  • Apenas 2,5% dos episódios de violência política registrados resultaram em alguma punição para os agressores, segundo o levantamento.
NA ADVOCACIA

Ao conversar com um cliente sobre o tema, uma sugestão é usar os dados para explicar que a violência política é um risco contínuo e documentado, não se limitando ao período de campanha. A distinção entre a violência que busca influenciar uma eleição e aquela que ataca o exercício de um mandato já existente ajuda a dimensionar o problema. Essa abordagem, focada em fatos, constrói uma percepção mais clara da realidade e da necessidade de medidas de proteção.

Para um vídeo ou post, um ângulo útil é destacar a desproporção da violência contra mulheres e a concentração no poder local. Explicar esses dois eixos permite traduzir os números em uma análise sobre os obstáculos à representação democrática. Essa abordagem se alinha ao propósito da Jurisoft de usar a comunicação clara para aproximar o direito das pessoas, transformando dados em conhecimento que gera confiança e conscientização.

Quem explica bem, ganha confiança. A Jurisoft ajuda advogados a transformar temas como este em conteúdo claro.Conheça a Jurisoft ↗
NA ORIGEM

Artigo escrito a partir de publicação de G1, de 01/10/2026. Contexto e leitura editorial são do Jurisoft News.

Leia a fonte original ↗

Redação e conferência automatizadas por IA, sob linha editorial Jurisoft. O estágio dos fatos corresponde à data da fonte.