Ilustração editorial sobre Penal
ILUSTRAÇÃO EDITORIAL / JURISOFT NEWS

A Polícia Federal realizou uma operação de busca e apreensão que tem como um dos alvos o eletricista Vanderlei Natividade, tesoureiro do Instituto Conhecer Brasil (ICB). Segundo decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a medida, Natividade teria movimentado mais de R$ 83 milhões em contas da ONG entre setembro de 2023 e agosto de 2024. Ele está proibido de deixar o país.

O ICB pertence a Karina da Gama, produtora de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação, que mira 49 pessoas físicas e empresas, apura os crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraudes licitatórias. De acordo com o documento do STF, o eletricista, que reside em uma casa simples na Zona Norte de São Paulo, tinha poderes para movimentar todas as contas do instituto, incluindo aquelas com as operações financeiras de maior volume.

Contrato municipal e elo com produtora

A apuração conecta as atividades do ICB a um contrato anual de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo. O ex-marido de Karina da Gama, Wemerson Marinho da Gama, era secretário-geral do instituto na época da assinatura do contrato, em junho de 2024. O prefeito Ricardo Nunes negou irregularidades e afirmou que a Controladoria Geral do Município abriu uma apuração sobre o contrato.

Outro elo investigado pela PF envolve o gabinete do deputado federal Mário Frias (PL), que também é produtor-executivo do filme. A empresa de André Feldman, também alvo da operação, recebeu R$ 154 mil da cota parlamentar de Frias entre setembro de 2024 e abril de 2026. Já a empresa de Wemerson Marinho da Gama recebeu R$ 115,6 mil do gabinete entre abril de 2023 e agosto de 2024. As mesmas empresas também emitiram notas fiscais para o ICB no âmbito do contrato com a prefeitura.

O que a investigação busca esclarecer

Na nossa leitura, o foco da investigação está em rastrear o caminho do dinheiro através de uma rede de pessoas e empresas com múltiplas conexões. A apuração busca esclarecer se recursos de um contrato público e de verbas parlamentares foram utilizados para fins privados, como a produção de um filme, ou se serviram para ocultar a origem e o destino dos valores. A menção a crimes como peculato e lavagem de dinheiro aponta para essa suspeita.

Um cuidado ao comunicar o tema é distinguir os fatos apurados das conclusões. A operação realizou buscas e apreensões e impôs medidas cautelares, mas não representa uma condenação. As defesas dos investigados afirmam colaboração com a Justiça ou questionam aspectos processuais, sem discutir o mérito. Acompanhar o caso exige atenção para separar as diferentes frentes da investigação: o contrato municipal, o uso da verba parlamentar e o financiamento da produção cinematográfica.

O QUE MUDA NA PRÁTICA
  • A Polícia Federal realizou operação de busca e apreensão contra 49 pessoas físicas e empresas, incluindo o tesoureiro de uma ONG, um deputado federal e empresários.
  • A investigação, autorizada pelo ministro Flávio Dino do STF, apura crimes como peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
  • Um eletricista que atuava como tesoureiro do Instituto Conhecer Brasil foi proibido de deixar o país após movimentar R$ 83 milhões em contas da entidade, segundo a decisão judicial.
  • A defesa de Karina da Gama, dona da ONG, apresentou uma reclamação constitucional ao STF questionando a competência do juízo, mas não o mérito da investigação.
NA ADVOCACIA

Ao explicar o caso a um cliente, uma sugestão é mapear as diferentes frentes da investigação: o contrato da ONG com a prefeitura, os pagamentos do gabinete do deputado e a produção do filme. Mostrar como a apuração conecta esses pontos ajuda a esclarecer a complexidade do caso sem antecipar conclusões sobre a culpa dos investigados. Essa abordagem foca nos fatos e constrói uma base sólida para o entendimento.

Para um vídeo ou post, o contraste entre a aparente simplicidade de um dos alvos, o eletricista, e a vultosa quantia movimentada é um ângulo que chama a atenção. A partir daí, o advogado pode explicar o que a lei diz sobre crimes como peculato e lavagem de dinheiro, usando o caso como exemplo prático. Essa tradução do direito para o público, com clareza e sem prejulgamentos, é um caminho para gerar confiança, alinhado ao propósito da Jurisoft.

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NA ORIGEM

Artigo escrito a partir de publicação de G1, de 10/09/2026. Contexto e leitura editorial são do Jurisoft News.

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Redação e conferência automatizadas por IA, sob linha editorial Jurisoft. O estágio dos fatos corresponde à data da fonte.