Ilustração editorial sobre Trabalhista
ILUSTRAÇÃO EDITORIAL / JURISOFT NEWS

Quase dois milhões de pessoas trabalhavam por meio de plataformas digitais no Brasil em 2025, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua divulgados pelo IBGE. O levantamento identificou 1,805 milhão de pessoas com os aplicativos como principal fonte de trabalho, um crescimento de 36,8% em relação a 2022. Esse contingente representava 1,9% da população ocupada no país no período da pesquisa.

Apesar de o rendimento médio mensal dos trabalhadores de plataforma (R$ 3.147) ser praticamente igual ao dos demais trabalhadores do setor privado (R$ 3.148), a pesquisa revela uma diferença significativa na carga horária. Os trabalhadores de aplicativos cumpriam, em média, 44,7 horas semanais, enquanto os outros trabalhavam 39,3 horas. Essa jornada maior resulta em um rendimento por hora 12% menor para quem usa as plataformas: R$ 16,20 contra R$ 18,40.

Perfil e dependência das plataformas

A pesquisa também detalhou o perfil e o nível de dependência desses trabalhadores. A maior parte (58,9%) atuava em transporte de passageiros, e 86,8% trabalhavam por conta própria. Um dado relevante é que 62,7% dos trabalhadores exerciam suas atividades exclusivamente por meio das plataformas, e 62,5% utilizavam apenas um aplicativo. A combinação desses fatores revela um grupo de 701 mil pessoas que dependiam de uma única plataforma para trabalhar.

O controle exercido pelas empresas sobre a atividade também foi medido. Entre os motoristas de transporte particular, 80,2% afirmaram que a plataforma determinava totalmente o valor a ser recebido. Para os entregadores, essa proporção foi de 78,3%. As plataformas também definiam o cliente a ser atendido para 70,8% dos entregadores e 60,8% dos motoristas. Esses números indicam que, para a maioria, os aplicativos atuam para além da simples intermediação entre clientes e prestadores de serviço.

Autonomia versus controle e proteção social

Na nossa leitura, os dados do IBGE oferecem um panorama concreto para o debate sobre a regulação do trabalho por aplicativos. A pesquisa quantifica a diferença entre a percepção de autonomia e a realidade de uma jornada mais longa com menor ganho por hora. Ao mostrar que o rendimento mensal se equipara ao de outros trabalhadores apenas com mais horas de serviço, os números ajudam a explicar a complexidade da relação econômica entre as partes.

Outro ponto de análise é a baixa proteção social. Apenas 25,5% dos motoristas de aplicativo contribuíam para a Previdência, em comparação com 59,2% dos motoristas que não usavam plataformas. Um cuidado ao comunicar esse tema é distinguir os trabalhadores de serviços dos comerciantes que usam plataformas de e-commerce. Para este segundo grupo, o IBGE identificou um perfil com maior formalização e rendimento 44,4% superior, mostrando que o impacto das plataformas digitais não é uniforme em todos os setores.

O QUE MUDA NA PRÁTICA
  • O IBGE confirmou que 1,805 milhão de pessoas tinham o trabalho por aplicativo como atividade principal em 2025.
  • A pesquisa mostrou que o rendimento por hora dos trabalhadores de plataforma é 12% menor que o de outros trabalhadores do setor privado.
  • Dados revelam que 38,8% dos trabalhadores de aplicativo (701 mil pessoas) dependem exclusivamente de uma única plataforma para obter renda.
  • A contribuição para a Previdência é significativamente menor entre motoristas e motociclistas de aplicativo em comparação com os que não usam as plataformas.
  • A pesquisa distinguiu o perfil dos trabalhadores de serviços do de comerciantes em plataformas de e-commerce, que apresentam maior formalização e renda.
NA ADVOCACIA

Ao conversar com um cliente sobre o tema, uma sugestão é usar os dados do IBGE para contextualizar a situação do trabalho por aplicativos, sem generalizar. Explique a diferença entre rendimento mensal e ganho por hora, pois essa distinção é central para entender a precarização que pode estar oculta nos números gerais. Essa abordagem, focada em dados, ajuda a construir uma análise clara e confiável.

Para um vídeo ou post, o contraste entre a flexibilidade declarada pelos trabalhadores e o controle exercido pelas plataformas é um ângulo informativo. Apresente os percentuais sobre quem define o preço e o cliente para mostrar que a autonomia pode ser limitada. Isso se conecta ao propósito da Jurisoft de traduzir dados complexos em informação jurídica acessível, que fortalece a confiança entre a advocacia e o público.

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NA ORIGEM

Artigo escrito a partir de publicação de G1, de 04/09/2026. Contexto e leitura editorial são do Jurisoft News.

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Redação e conferência automatizadas por IA, sob linha editorial Jurisoft. O estágio dos fatos corresponde à data da fonte.