Ilustração editorial sobre Eleitoral
ILUSTRAÇÃO EDITORIAL / JURISOFT NEWS

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) classificou como falsa a informação de que o ministro André Mendonça, vice-presidente do tribunal, teria autorizado a mudança de locais de votação na comunidade da Maré, no Rio de Janeiro, para prejudicar uma candidatura. A mensagem falsa circulou em redes sociais no dia do primeiro turno das eleições, em 4 de outubro, e distorcia uma decisão administrativa tomada meses antes pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ).

A mudança real nos locais de votação foi anunciada pelo TRE-RJ em agosto, cerca de dois meses antes da eleição. A medida afetou aproximadamente 670 mil eleitores em 277 locais em todo o estado, incluindo seis no Complexo da Maré. Segundo o tribunal regional, as alterações foram feitas por motivos de segurança, acessibilidade e infraestrutura, com o objetivo de retirar seções eleitorais de áreas consideradas de alto risco ou dominadas pelo crime organizado.

A decisão administrativa do TRE-RJ

A competência para designar os locais de votação, conforme o artigo 135 do Código Eleitoral, é dos juízes eleitorais de cada zona. Aos Tribunais Regionais Eleitorais cabe expedir instruções e julgar recursos sobre essas decisões. A informação falsa, portanto, errava ao atribuir a um ministro do TSE uma responsabilidade que é da primeira instância da Justiça Eleitoral, além de inventar uma motivação político-partidária para o ato.

A mensagem falsa também citava uma reportagem do UOL para dar credibilidade à alegação. No entanto, a matéria original, publicada um dia antes da eleição, relatava a mudança dos locais de votação na Maré, mas não atribuía a decisão ao ministro André Mendonça nem sugeria uma finalidade eleitoral para a medida. O conteúdo que circulou nas redes sociais se apropriou de um fato verdadeiro para construir uma narrativa enganosa.

Como a desinformação distorce fatos reais

Na nossa leitura, este caso ilustra como a desinformação pode se basear em fatos reais para criar uma interpretação distorcida e alarmista. A mudança de locais de votação de fato ocorreu, mas a notícia falsa alterou três elementos centrais: a autoridade responsável pela decisão, o momento em que ela foi tomada e, principalmente, a sua motivação. Separar o fato administrativo da interpretação política maliciosa é fundamental para avaliar a integridade do processo eleitoral.

Um cuidado ao comunicar o tema é não tratar a checagem de fatos apenas como uma disputa de versões. A explicação pode ir além do "é falso" e mostrar o porquê, detalhando as competências da Justiça Eleitoral e o contexto da decisão original. Isso ajuda o público a entender o funcionamento das instituições e a desenvolver uma leitura mais crítica das informações que recebe, especialmente durante o período eleitoral.

O QUE MUDA NA PRÁTICA
  • O TSE confirmou que é falsa a alegação de que o ministro André Mendonça mudou locais de votação no Rio de Janeiro.
  • A mudança de 277 locais de votação foi uma decisão administrativa do TRE-RJ, anunciada em agosto por razões de segurança e infraestrutura.
  • A competência para designar locais de votação é dos juízes eleitorais, e não de um ministro do TSE de forma individual.
  • A notícia falsa distorceu uma reportagem do UOL, que noticiou a mudança, mas não a atribuiu a Mendonça nem a uma motivação política.
NA ADVOCACIA

Ao explicar o caso a um cliente, uma sugestão é focar na diferença entre a competência de cada órgão da Justiça Eleitoral. Esclarecer que a mudança de seção é uma decisão administrativa de juízes locais, e não uma ordem de um ministro do TSE, ajuda a desfazer a confusão. Essa abordagem técnica e informativa reforça a confiança no processo, mostrando que as decisões seguem regras predefinidas e não interesses políticos momentâneos.

Para um vídeo ou post, o ângulo pode ser o mecanismo da desinformação: como um fato real (a mudança de locais) é distorcido com informações falsas (autor, motivo e data) para gerar desconfiança. Explicar isso de forma didática, sem tomar partido, conecta-se ao propósito da Jurisoft de levar clareza ao público. A comunicação se torna uma ferramenta para construir uma compreensão mais sólida sobre o funcionamento das eleições e a importância da checagem de fontes.

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NA ORIGEM

Artigo escrito a partir de publicação de G1, de 05/10/2026. Contexto e leitura editorial são do Jurisoft News.

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Redação e conferência automatizadas por IA, sob linha editorial Jurisoft. O estágio dos fatos corresponde à data da fonte.