Ilustração editorial sobre Eleitoral
ILUSTRAÇÃO EDITORIAL / JURISOFT NEWS

A estratégia de associar o nome de urna ao ex-presidente Jair Bolsonaro ou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sem possuir vínculo familiar, não resultou em vitória para a maioria dos candidatos que a adotaram. Dos 29 concorrentes que utilizaram essa tática, apenas cinco foram eleitos, enquanto os outros 24 não obtiveram sucesso. Os dados mostram que, dos 20 candidatos que fizeram referência a Bolsonaro, três se elegeram. Entre os nove que usaram o nome de Lula, dois conquistaram um mandato.

Em agosto, a Justiça Eleitoral estabeleceu a proibição do uso dos nomes de Lula ou Bolsonaro por candidatos sem parentesco. A medida se fundamenta nas regras sobre o nome de urna, que permitem o uso de prenome, sobrenome, apelido ou nome pelo qual o candidato é conhecido, contanto que a identificação não cause dúvida sobre sua identidade, atente contra o pudor ou seja considerada ridícula ou irreverente.

Quem foram os candidatos eleitos e como a regra foi aplicada

Os cinco candidatos eleitos com essa estratégia disputaram cargos de senador e deputado estadual. Entre eles estão Fabiana Bolsonaro (PL-SP) e Fão do Bolsonaro (PL-PR). Do lado que fez referência a Lula, foram eleitos os senadores Júlio César o Julim do Lula (PSD-PI) e Samanda de Lula (PT-RN). Um dos eleitos, Bruno Scheid (PL-RO), chegou a registrar o nome "Bruno Bolsonaro Scheid", mas precisou alterá-lo após a decisão judicial. Além dos eleitos, um candidato ao governo do Rio Grande do Norte, Cadu de Lula (PT), disputará o segundo turno.

A decisão da Justiça Eleitoral está alinhada a um entendimento anterior do Tribunal Regional Eleitoral de Roraima. Segundo essa interpretação, a identificação política legítima de um candidato deve derivar de sua própria trajetória e atuação, e não da apropriação do sobrenome de uma terceira pessoa conhecida. O objetivo da norma é proteger a clareza da informação oferecida ao eleitor no momento da votação, garantindo que a escolha seja feita sem ambiguidades sobre quem é o candidato.

Estratégia de campanha versus clareza para o eleitor

Na nossa leitura, os resultados eleitorais e a regra judicial revelam uma distinção importante entre marketing político e a proteção da escolha do eleitor. Os números indicam que a simples associação de nome não foi suficiente para transferir capital político de forma automática para a maioria dos candidatos. A notícia permite observar, ao mesmo tempo, a aplicação de uma norma eleitoral e o efeito prático limitado de uma estratégia de campanha, fornecendo um retrato concreto de como as regras do jogo impactam as táticas políticas.

Um cuidado ao comunicar esse tema é não generalizar a proibição para todos os apelidos ou nomes políticos. A regra se concentra especificamente em casos que podem gerar confusão sobre a identidade do candidato, como o uso do nome de figuras públicas notórias sem um laço familiar que o justifique. Explicar essa nuance ajuda a qualificar o debate, mostrando que a regulação busca um equilíbrio entre a liberdade de identificação do candidato e a necessidade de transparência e clareza para o processo democrático.

O QUE MUDA NA PRÁTICA
  • A Justiça Eleitoral proibiu, em agosto, o uso dos nomes 'Lula' ou 'Bolsonaro' na urna por candidatos sem parentesco com os líderes políticos.
  • Apenas 5 dos 29 candidatos que adotaram a estratégia de usar os nomes na urna foram eleitos.
  • A regra sobre nomes de urna busca evitar que o eleitor seja induzido a erro sobre a identidade do candidato.
  • A identificação política, segundo entendimento judicial, deve decorrer da trajetória do próprio candidato, não da apropriação de nomes de terceiros.
NA ADVOCACIA

Ao conversar com um cliente sobre o tema, uma sugestão é explicar que o nome na urna é um elemento de identificação regulado pela Justiça Eleitoral, não apenas uma ferramenta de marketing. Use os dados da notícia para mostrar que a associação a um líder conhecido não garante resultado e que a legislação busca proteger a clareza do voto. Essa abordagem reforça a seriedade do processo eleitoral.

Para um vídeo ou post, o advogado pode explicar as regras para o registro do nome de urna, usando este caso como exemplo prático. O foco pode ser o porquê da regra: garantir que o eleitor não seja induzido a erro. Essa explicação se conecta ao propósito da Jurisoft de traduzir o direito de forma clara, construindo confiança ao mostrar como as normas eleitorais funcionam para proteger o cidadão.

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NA ORIGEM

Artigo escrito a partir de publicação de G1, de 06/10/2026. Contexto e leitura editorial são do Jurisoft News.

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Redação e conferência automatizadas por IA, sob linha editorial Jurisoft. O estágio dos fatos corresponde à data da fonte.