Circula em redes sociais um vídeo que atribui ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) a promessa de cortar o 13º salário e aposentadorias caso seja eleito. A informação é falsa e o material foi produzido com o uso de inteligência artificial (IA) para alterar o áudio original de uma entrevista e sincronizá-lo com o movimento dos lábios do candidato.
Na gravação manipulada, uma voz sintética afirma que o governo faria cortes na economia, “começando tirando a pensão que muito aposentado recebe sem necessidade”, além de realizar um “corte drástico” no 13º salário e eliminar o programa Pé de Meia. O vídeo falso, que viralizou em diversas plataformas desde 7 de outubro, foi analisado pelo projeto Fato ou Fake.
Conteúdo falso foi inserido em vídeo de entrevista real
A cena usada como base para a montagem é de uma entrevista concedida por Flávio Bolsonaro em 4 de outubro, após o primeiro turno das eleições. No pronunciamento original, o candidato se declarou “muito feliz” com os quase 56 milhões de votos recebidos, afirmando que o resultado demonstra que “o Brasil quer mudança”. Ele obteve 47,03% dos votos e disputará o segundo turno em 25 de outubro.
A comprovação da fraude foi feita com o auxílio de duas ferramentas especializadas em detectar conteúdo gerado por IA. A plataforma Hive Moderation apontou 83,1% de probabilidade de o áudio ter sido manipulado, enquanto o serviço Hiya/InVID indicou 99% de chances de o som ter sido gerado artificialmente. Procurada, a assessoria de imprensa do candidato classificou o vídeo como uma “evidente montagem por IA” e “fake news eleitoral”.
Como a manipulação por inteligência artificial foi comprovada
Na nossa leitura, o episódio ilustra um desafio crescente para o debate público e para o direito eleitoral: a desinformação produzida com tecnologia cada vez mais acessível. A notícia não trata de uma proposta de governo, mas da fabricação de um fato inexistente com o objetivo de influenciar a percepção dos eleitores. A distinção entre uma declaração política real e um conteúdo sintético é central para compreender o caso.
Um cuidado ao comunicar esse tema é focar na metodologia da falsificação, e não apenas no conteúdo da declaração falsa. Explicar que o áudio foi gerado por IA e sincronizado com os lábios ajuda o público a desenvolver um olhar mais crítico para os materiais que consome. A discussão se desloca da veracidade de uma promessa para a integridade da informação que circula no ambiente digital, um tema relevante para a confiança no processo eleitoral.
- Um vídeo com declarações falsas de Flávio Bolsonaro sobre cortes de direitos foi criado com inteligência artificial.
- Ferramentas de análise confirmaram a manipulação do áudio com 83,1% e 99% de probabilidade de ter sido gerado por IA.
- O vídeo original é de uma entrevista após o primeiro turno, na qual o candidato comentava o resultado da eleição, sem mencionar os cortes.
- A assessoria do candidato classificou o material como 'fake news eleitoral', conduta tipificada como crime no Brasil.
Ao conversar com um cliente sobre o tema, uma sugestão é explicar a diferença entre uma declaração política e um conteúdo fabricado por tecnologia. A notícia permite demonstrar como a inteligência artificial pode ser usada para criar desinformação, destacando que a discussão jurídica não é sobre a proposta em si, mas sobre a manipulação e seus efeitos no debate eleitoral. Isso ajuda a construir uma percepção mais crítica sobre as informações recebidas.
Para um vídeo ou post, um ângulo útil é abordar o fenômeno da desinformação gerada por IA. O advogado pode explicar como funcionam essas manipulações e por que elas representam um risco para a democracia, sem se aprofundar no mérito político da disputa. Essa abordagem se alinha ao propósito da Jurisoft de usar a comunicação clara para aproximar o direito das pessoas, fortalecendo a confiança na informação e nas instituições.
Artigo escrito a partir de publicação de G1, de 08/10/2026. Contexto e leitura editorial são do Jurisoft News.
Leia a fonte original ↗Redação e conferência automatizadas por IA, sob linha editorial Jurisoft. O estágio dos fatos corresponde à data da fonte.