O Smart Sampa, sistema de câmeras e reconhecimento facial da prefeitura de São Paulo, teve credenciais de acesso expostas na internet. Pela reportagem do UOL publicada na terça-feira (20), 181 logins e senhas ficaram visíveis por 11 meses e permitiam entrar na plataforma da Sentinelx, empresa do consórcio que opera o sistema, alimentada por 58 mil câmeras.
A plataforma da Sentinelx usa as imagens para localizar pessoas a partir de características físicas, gerenciar ocorrências e despachar viaturas. A empresa afirma manter controle de acesso por cargo, recurso comum em sistemas que tratam dados sensíveis. Procurada pelo g1, não respondeu até a publicação.
O que a prefeitura diz e o que os especialistas respondem
A prefeitura atribuiu a exposição a um agente da Guarda Civil Metropolitana, que teria divulgado as informações de forma ilegal. Ele foi afastado e é investigado pela Corregedoria. Pelo prefeito Ricardo Nunes, o agente entrou na corporação em 2023 e mantinha senhas armazenadas. O repositório foi retirado do ar, e a gestão diz ter adotado senhas exclusivas e autenticação em dois fatores.
Especialistas ouvidos pelo g1 criticaram a resposta. Para Pablo Nunes, do CESeC, quem deve responder por falhas de segurança é a prefeitura, que se retirou desse papel ao apontar um servidor. Fernanda Rodrigues, do IRIS, avalia que o país não construiu uma cultura de proteção de dados e que muitos incidentes terminam sem multa nem responsabilização.
Na leitura do advogado Luiz Augusto D'Urso, especialista em direito digital, o caso configura violação da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, que fixa regras para evitar vazamentos. Ele acrescenta que outros crimes ainda precisam ser investigados: o funcionário que permitiu o acesso de terceiros pode responder por violação de sigilo funcional.
LGPD, sigilo funcional e três responsabilidades
Leitura editorial da redação: o episódio reúne três planos de responsabilidade que costumam se misturar na conversa com o cliente. O poder público responde pela segurança do tratamento que ele controla; a empresa contratada, pelo sistema que fornece; o servidor, pela conduta própria. Separar esses planos ajuda a explicar o que cada pessoa filmada pode pedir, da apuração à reparação.
- 181 credenciais do sistema ficaram expostas por 11 meses, com acesso a imagens de 58 mil câmeras.
- A prefeitura afastou um agente da GCM e diz ter reforçado senhas e autenticação em dois fatores.
- Especialista aponta violação da LGPD e possível crime de violação de sigilo funcional.
- Críticos cobram que a responsabilidade pela segurança recaia sobre a prefeitura, não só sobre o servidor.
A sugestão é explicar ao cliente que, em vazamento envolvendo órgão público, há mais de um responsável possível e mais de um caminho: pedido de informação ao controlador, reclamação à autoridade de proteção de dados, apuração administrativa do servidor e, conforme o caso, reparação. A reportagem mostra a prefeitura, a empresa e o agente em papéis diferentes.
Para um vídeo, o gancho é a pergunta que todo mundo faz ao ver uma câmera na rua: quem cuida da minha imagem? Explicar, sem jargão, quem é controlador e quem é operador, e por que culpar um servidor não encerra a conta, é o tipo de conteúdo que a Jurisoft entende como serviço do advogado ao público.
Artigo escrito a partir de publicação de G1, de 21/10/2026. Contexto e leitura editorial são do Jurisoft News.
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